NOTA DO DCE-UFRPE SOBRE A ATUAL CONJUNTURA POLÍTICA DO PAÍS

Hoje, vivemos uma profunda crise econômica mundial que desenvolve o aumento do desemprego, subemprego, agravando ainda mais o sofrimento da população pobre, com os salários cada vez menores e o custo de vida cada vez mais alto. No Brasil, esta crise econômica é sentida com o alto índice de desemprego que de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego: 1,5 milhão de postos de empregos foram fechados em 2015, com previsão de fechamento de mais 1,2 milhão de postos em 2016. Crise esta, só para o povo pobre, pois, nos últimos tempos, os bancos tiveram recorde de lucros. O Bradesco, por exemplo, teve o lucro recorde trimestral de toda a história do banco e um recorde anual de 18,4%, em tempos de crise. Cortes em áreas de extrema importância como saúde, educação e moradia o que, sem dúvida, agrava a condições de sobrevivência da população pobre. Na Universidade, sentimos isso por meio do corte de orçamentos, pela dificuldade de manutenção de prédios, redução de aulas práticas e pela a exploração do trabalho terceirizado que tem seus salários pagos com atrasos – um infeliz processo de sucateamento do ensino público. Nós, estudantes, vemos mês a mês os atrasos das bolsas, a baixa quantidade de bolsas de assistência estudantil e, várias bolsas de Iniciação Científica e de programas como o PIBID sendo extintos e/ou sofrendo gravíssimos cortes!

Desde o fim das eleições de 2014, quando a Presidenta Dilma Rousseff (PT) venceu Aécio Neves (PSDB), com 51,64% dos votos, reafirmou-se ainda mais uma profunda disputa entre esses partidos e os interesses que cada um representa para os brasileiros. Estamos presenciando os partidos derrotados na eleição colocando como resposta o impeachment para “combater” a corrupção e “acabar” com a crise econômica, como se partidos como o PSDB e PMDB (este último que acaba de romper com o governo, mas que mantém Michel Temer como vice-presidente, agindo com profundo oportunismo perante a crise política e econômica) não estivessem envolvidos em corrupção. Além disso, é bom destacar que eles agem com o apoio dos meios de comunicação, a exemplo da rede Globo, e, são financiados por entidades empresarias como a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), a mesma que financiou e apoiou o golpe militar de 1964. Sabemos que esses partidos estão intimamente ligados aos maiores escândalos de corrupção da história do nosso país.

Os aliados do governo, a exemplo do PCdoB, fazem uma campanha em defesa da democracia, do estado de direito e pela manutenção dos programas sociais. Porém, tanto o PT como o PCdoB, continuam a defender os interesses dos grandes bancos, o pagamento da dívida pública em detrimento de cortes nas áreas sociais (moradia, saúde e educação), o apoio ao agronegócio, a privatização dos portos e aeroportos e a continua privatização da PETROBRAS. Sem contar com a nova lei “antiterrorismo”, que nesse cenário, vem mais com o potencial de criminalizar os movimentos sociais do que efetivamente combater o terrorismo.

Contudo, precisamos entender claramente o que representa a defensa do impeachment: saindo Dilma da presidência, teremos a posse de Michel Temer, que já demonstrou claramente ser um oportunista e que jogará ainda mais profundamente a responsabilidade da crise econômica para os trabalhadores e trabalhadoras.
Devemos nos ater também a alguns eventos importantes e críticos no que diz respeito à liberdade de expressão e de associação, a exemplo da manipulação da mídia que coloca como salvação ações antidemocráticas e incitam a população a “crer” na sua verdade absoluta de que o impeachment é a solução e que apenas o PT é corrupto, sem falar nas ações fascistas ocorridas na sede da UNE e do PT, dignas de total repúdio e combate. Cenas da prática da ditadura militar, onde a juventude, homens e mulheres tiveram seus direitos civis arrancados, milhares de brasileiros e brasileiros mort@s, pres@s, sequestrad@s, torturad@s, estupradas. Na história da nossa UFRPE, vivemos o quão horrível e cruel foi este regime, onde as universidades foram entregues ao abandono e tivemos vários estudantes, professores e servidores perseguidos pelo regime que tirou a autonomia universitária de pensar e produzir ciência para o benefício do povo. O exemplo mais profundo que temos é o patrono do DCE, o Odijas Carvalho de Souza (estudante de Agronomia da UFRPE, militante do PCBR, que foi assassinado em 1971, covardemente, pela ditadura militar). Então, repudiamos este tipo de ação e não permitiremos que mais Odijas, Honestinos Guimarães, Edsons Luis, Sônias Angel, Soledads Barret, Iaras Iavelberg, Joãos e Marias tenha seus corpos mutilados por lutar por um país justo e democrático.

Além disso, o poder judiciário, nessa disputa polarizada, não pode blindar nenhum corrupto, todos os indiciados e denunciados devem ser investigados e, comprovados seus crimes, devem ser punidos. Todos, não apenas os que compõe o atual governo. Mas o que temos visto é um favorecimento dos políticos do PSDB, citados diversas vezes nas delações e o juiz federal Moro induzindo politicamente os rumos da operação lava-jato. Isso não pode acontecer.

Entendemos que precisamos fazer uma crítica ao governo que implique em defender os interesses do povo, por fim ao ajuste fiscal, fim ao pagamento da dívida pública, reforma urbana e agrária, mais verbas para educação e saúde. Desse modo, vamos garantir os diretos das mulheres, dos LGBTs, trabalhadoras e trabalhadores. O povo quer ter direito e não golpe! Defendemos a democracia e convocamos a toda comunidade acadêmica a manter firme esta bandeira!

Não vamos aceitar retrocesso!
Não ao golpe!
Ditadura nunca mais!

Compartilhe!