Nota pública sobre a ocupação da UAST/UFRPE

No dia 01 de novembro de 2016, por volta das 3 horas da madrugada a Unidade Acadêmica de Serra Talhada (UAST) foi ocupada por estudantes em ato contra a PEC 55/2016 (antiga PEC 241), contra o PL 5173/2016 de autoria do Deputado Federal Kaio Maniçoba (PMDB/PE) e em apoio às ocupações de tantas outras instituições de ensino, a fim de pressionar o Governo Federal Ilegítimo a barrar essas medidas que vem sendo tomadas de forma arbitrária e sem diálogo com a sociedade.

A proposta de ocupação surgiu a partir de várias reuniões e assembleias estudantis, com pautas relacionadas à atual conjuntura brasileira, sem deixar de lado a conjuntura local – que há anos vem sendo discutida. As decisões foram tomadas de forma coletiva e democrática, os próprios alunos da instituição tomaram algumas medidas iniciais em forma de atos e protestos, tendo como principal ponto de partida a paralisação realizada na BR 232, que liga a cidade de Serra Talhada à universidade. Esta foi realizada nos dias 13 e 14 de outubro, na qual as questões relacionadas à permanência da mobilidade estudantil gratuita e à manutenção das bolsas de assistência estudantil foram pautadas.

Em seguida, no dia 27, estudantes da Faculdade de Integração do Sertão (FIS), da Autarquia Educacional de Serra Talhada (AESET), da Universidade de Pernambuco (UPE) e estudantes secundaristas da União dos Estudantes Secundaristas de Serra Talhada (UESST) juntamente com os alunos da UAST saíram às ruas serra-talhadenses levando esse debate para a comunidade.

Esses e outros atos deram origem à ocupação da UAST, que iniciou com a interdição das entradas da universidade, trancamento dos blocos de aula e afixação de cartazes e bandeiras para assegurar a paralisação do funcionamento das atividades letivas. A partir da chegada dos primeiros ônibus e de alguns professores o ato foi oficializado e as informações relacionadas à organização e estadia dos estudantes foram definidas.

No primeiro momento houve pressão por parte da direção na tentativa de impedir que os ônibus subissem e os alunos pudessem se somar à LUTA! Porém, passado a tensão inicial, as negociações com a direção do campus ocorreram de forma pacífica e todas as exigências feitas pela comissão de comunicação foram garantidas, a exemplo: a abertura da biblioteca durante todo o período da ocupação, bem como, da sala de estudo, auditório e cozinha e o funcionamento do transporte estudantil. Assegurando assim, a participação de todos/as nas atividades promovidas pelos ocupantes, entre elas, debates, oficinas de cartazes, aulas públicas, manifestações culturais, assembleias. Como também o livre acesso ao campus por parte dos estudantes para as demais atividades (estudo, pesquisa, experimentos, etc).
Durante esse primeiro dia os estudantes se dividiram em comissões específicas a fim de garantir a organização do espaço, das atividades e dos mantimentos. A ocupação é autogestionada no quis diz respeito à limpeza, alimentação, segurança, comunicação e financeiramente através de doações dos que apoiam o ato e cotas entre os próprios ocupantes.

Às 20h, deu-se início a primeira assembleia dos/das manifestantes. Cerca 200 alunos/as participaram com direito à voz e voto nas tomadas de decisões mediante os informes. A organização das atividades, os procedimentos para a comunicação externa, como à visita as rádios e a contextualização das principais causas do manifesto foram apresentadas. Sendo, logo em seguida, abertas as inscrições para avaliação, colocações e propostas.

Dentre as propostas aprovadas estão:
• Esclarecimento sobre a PEC 55/2016, o PL 5173/2016, a Medida provisória nº 746 e a proibição de greve;
• Garantir o direito de voz e voto para quem é contrário a ocupação;
• Desmistificar o funcionamento da ocupação e trabalho do movimento estudantil;
• Abordar nas atividades temas como: gênero, sexualidade, étnico-racial, exigindo da academia garantia de direitos;
• Promover manifestações culturais (saraus, exibição de curtas etc.);
• Estabelecer rodas de diálogos e debates com convidados externos e atividades de extensão em escolas e demais universidades;
• Discutir frequentemente as programações de atividades;
• Realização da assembleia de professores fora das mediações da unidade enquanto durar a ocupação;
• Continuação e fortalecimento da ocupação por tempo indeterminado.

Diante das discussões, compreendemos a importância e a seriedade das decisões tomadas pelos estudantes para a garantia de uma educação pública, gratuita e de qualidade. Lutamos não só por nossa unidade acadêmica, mas por todas as instituições de ensino, sejam elas federais, estaduais ou municipais e viemos nos somar a milhares de estudantes que, nesse momento, deixam seus interesses pessoais de lado em prol do coletivo, tendo em mente que as decisões arbitrárias do governo interferem negativamente no desenvolvimento do país.
Gostaríamos de salientar que nossa ocupação não deixa de contemplar os afazeres estudantis, dispomos de toda estrutura interna de manutenção em pleno funcionamento (banheiros, chuveiros e cozinha), bem como a biblioteca e sala de estudos abertas e funcionamento dos ônibus diariamente em horário normal. Os estudantes que necessitam realizar seus experimentos também têm de livre acesso para os realizarem. Além disso, iremos manter determinados setores administrativos (que serão divulgados em breve) que consideramos essenciais, tais como monitoria, estágio, projetos etc.

Portanto, em razão das propostas aprovadas e todos os pontos de pauta necessários para o andamento da mobilização, gostaríamos de CONVOCAR todos os estudantes que estiverem dispostos a participar, permanecer na instituição e também dialogar conosco sobre todas as questões aqui apresentadas. Para que possa haver entendimento e consonância com a nossa ocupação que, ressaltamos, envolve além da conjuntura no país, nossas reivindicações internas.
Ocupar, resistir!
Participe!
#OcupaTudo
#ForaTemer
DCE UFRPE, DAs de Eng. de Pesca, Agronomia e ADM.

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